sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Por todos os lados, numa caixa de sapato, você.

Não posso dizer que faltava o principal, porque eu transbordava do que tem valido todo esse tempo. Faltava você ali comigo, mas quem disse que você não estava? Havia tanto de você por todos os lados. Era o seu lugar. Eram as suas coisas. Era a sua vida. Eu estava cercada de você em todas as suas formas. As mais distantes, as mais dinâmicas, as que estão com você desde quando você se entendia por bebê; as mais banais, as mais vivas, as mais próximas, as que um dia já foram rentes a você, as que hoje são e cercada de mim que fui, que sou e que ainda posso ser, porque ainda vive em mim o ainda que ficou sem querer ir. O ainda que você deixou e que eu quis que ficasse, porque não se trata de um ainda qualquer, é o ainda que quero e que combina com o tempo em que estamos. 
Os livros espalhados no chão, o lençol amarrotado em cima do colchão, o videogame desligado à espera de sua permissão para a largada ser dada, porque, ora!, sem você qual é a graça? Essa é uma pergunta que me faço quando seguro o controle e vejo o outro intacto na mesa, no suporte, no que quer que seja, afinal, não são seus dedos, não é seu comando, não é nossa jogada, não é nossa a luta a ser travada; nem mesmo a perda é minha... É tão solitário quando não jogo com você, até porque o meu jogo é a dois e, baby!, que graça tem ganhar assim? Sem... O sapato jogado aos pés do sofá, o amontoado de pelos negros que latia do lado de lá do portão ofegante com a minha presença que depois de tanto tempo se fez presente; a outra bolinha de pelos claros do lado de cá querendo fazer contato com aquela estranha que algum dia já tinha, possivelmente, ouvido falar. 
Na caixa de sapatos, lá estava você vestido numa jardineira cor da terra sorrindo com seus poucos dentinhos. Noutro momento, estava você sentado numa pedra fazendo algumas dobrinhas em cada perna com seu chapéu azul-marinho, como eu costumava dizer quando tinha a mesma idade que você. Pensei em como seria linda a continuação de nós dois, porque, ora!, havia como não ser? Seríamos eu e você e que lindo seria se assim for... Amor.

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