segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não! Eu não sou obrigada.

A Lola está promovendo o 4° Concurso de Blogueiras. O tema desse ano é "A origem do seu feminismo". A intenção do concurso é divulgar blogs interessantes escritos pela mulherada. Eu já tinha lido o poste que a Manda do fabuloso Petit Journal de la Porte Dorée tinha feito especialmente para esse concurso e depois li o que a minha chefa do inesquecível Caso me esqueçam fez. Ambos foram instigantes para que eu também cogitasse a possibilidade de escrever sobre a origem do meu feminismo. Apesar de não gostar muito da ideia de competição, como também é o caso da minha Chefa, eu decidi participar mesmo com toda minha insegurança inata e até porque a intenção da Lolita não é excluir, ou classificar como melhor, ou pior os blogs. Como já disse, a real intenção é divulgar e nada mais. Então dedos à obra. 
Eu, assim com todas as mulheres da face da Terra (salvasse uma, ou outra "abençoada"), cresci dentro do sistema patriarcal. Onde o homem tem direitos e nós, mulheres, temos direitos também. Direito de cumprir com o que nos foi imposto como, quando, onde e o que devemos, ou não fazer e dizer; com os deveres que só nós temos por sermos o que somos e por não termos nada balançando entre as pernas. (Que peninha, né?!)
Eu tinha o direito de tirar as botas e meias do meu pai quando chegava do trabalho. Tinha também o direito de lavar os pratos (e ainda tenho) por ser a mais velha, mas também por ser uma mulher. Tinha o direito de sentar com as pernas cruzadas, porque eu sou uma mocinha e mocinhas não abrem as pernas (Opa! Olha a ambiguidade aí, gente!). Tinha o direito de ver e ouvir o que quer que fosse do marido da minha mãe e ficar calada, porque o título de pai (homem) nos confere a verdade absoluta sem qualquer questionamento.
Até hoje é assim. Quando meu pai faz alguma coisa, ou fala minha mãe sempre diz que ele está certo, mesmo quando ele não está. Às vezes, ela até diz que as coisas não funcionam do modo dele, mas depois sempre tem um "Olhando direitinho, seu pai está certo!". Infelizmente esse olhar dela sempre conclui que eu, ela e o resto da humanidade (feminina) estamos erradas, somos errantes como aquela música do Kid Abelha.
Cansei de ver minha mãe colocar a comida do meu pai. Eu até já disse a ela: "Mainha! Painho tem duas mãos pra quê? Ah minha filha! Ele chegou cansado." Mas e quando ela chega cansada? 
O lugar do meu pai na mesa é sempre encabeçando. Alguém pode dizer que é besteira, mas faz essa simples colocação de lugares diz muito sobre quem manda e quem obedece. Eu nunca vi minha mãe sentar em outro lugar que não fosse ao lado, na lateral, como poder secundário. E não só nas refeições, como nas decisões de ida e vinda minha e de meus irmãos. Não adiantava/adianta eu pedir a minha mãe para ir a algum canto sem que meu pai desce a palavra final. Algumas vezes, ele dizia/diz "Fale com sua mãe!", mas eu me perguntava/pergunto "Pra quê? Se a palavra final é dele mesmo?". E isso depois de eu já ter falado com ela, viu?! Tudo bem que houve vezes em que o ponto final foi dado por ela, mas foram raríssimas finalizações e todas terminaram em discussões feias. Porque minha mãe estava cheia de "liberdade" e porque ele "ainda era nosso pai". Por eu nunca ter aceitado isso e outras coisas, causei uma série de brigas com mainha.  E mesmo que indiretamente, com meu pai também. Nunca me atrevi a questionar, porque eu sabia/sei onde pisava/piso e não queria, assim como não quero, perder meus dentes. Meu pai sabe pelo menos metade do que penso sobre. Não precisei dizer, mas ele sabe. Tanto é que não nos damos muito bem. Imagine se eu tivesse dito o que tenho pra dizer como seria? Se já fui/sou considerada a "ovelha negra", os "pés do cão", eu passaria a ser o quê? O rebanho negro? É! Nada mal...
Essa minha aversão à submissão feminina, como é perceptível, não é de hoje. Ela foi ganhando cada vez mais espaço à medida que fui crescendo. E após ter encontrado o Petit Journal de la Porte Dorée, e através dele o Escreva, Lola, escreva essa lacuna foi ampliando-se e ganhando força. Eu deixei de achar que eu não devo me submeter ao que "eles" ditam como certo. Eu simplesmente não me submeto mais e ponto. Não sou obrigada e nem é o certo a se fazer.
Pois é, rapazes! Segurem a peteca! Porque eu não estou nem um pouco a fim de segurar para vocês, ou por vocês.

12 comentários:

  1. BRAVO! :D

    viu que nem doeu? a medrosa fez um post e tanto, hein! ri muito com o rebanho negro hahahaha e, caramba, como a gente se identifica, né? era eu lendo e pensando "ja vi essa cena. e essa. e essa tambem". e concordo sobre a disposicao das pessoas à mesa. o machismo nao tah soh no fato do seu pai achar que eh sua mae que tem que cozinhar. essas "pequenas" coisas sao muito reveladoras. se fosse neutra a posicao da sua mae dentro da casa, seu pai nao faria questao de se sentar à cabeceira da mesa.

    agora tem que colocar teu post nesse post aqui da loa. ja fizesse?

    http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/08/concurso-de-blogueiras-no-ar.html

    eu nem sabia, fiz agorinha, de ultima hora!

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  2. Eu sou uma arte! UAHSUAHSUAHSUAHSUHASHU É cada pérola que eu solto, chefia! AUSHUAHSUHS Pode me sarga! AUSHUAHSUAHSUHASH
    BRAVO PRA GENTE, porque se não fosse você, eu nem tinha entrado na "competição". /fato
    Sim...
    Eu nem sabia que tinha que deixar nesse link tbm. Ainda bem que você me avisou, Chefa, senão o meu não ia valer pro concurso, né?!=\
    E... CARAMBA! Como nós temos coisas em comum. Porque essa não é a primeira vez que eu falo uma coisa minha tão sua e vice-versa, né?! /emoção AUSHUHSUHSUHAUS :D
    E mais uma vez, obrigadíssima pelo incentivo, viu?! Chefa como você não há, "mirmã", não há mesmo. u.u

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  3. Seu post vai entrar no concurso, ueba!
    Abração procê e pra sua chefa.

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  4. Geeente! A mulherada tá mandando um bolão,hein?!Fico tão feliz! Aliás,tô super feliz porque estou conhecendo tantos blogs legais e tanta gente bacana como vc,Glória!Parabéns pelo post e viva a Lola, por essa integração que ela está proporcionando.Vou virar freguesa aqui do blog,viu?! Bj!

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  5. Lolita! Ah que linda! Não sabe você a alegria que me deu, viu?! =)

    Clara! Concordo integralmente com você. Andei lendo os postes das outras blogueiras e todas estão de parabéns, viu!? Mandaram ver mesmo!;) Você foi uma delas. Adorei mesmo! Obrigada pelos elogios. Digo o mesmo sobre você. Viva a nossa Lolita! AUSHUAHSUH \o/ Volte sempre que quiser, tá?! Eu voltarei sempre ao seu filhote (blog). Freguesia recíproca!;)

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  6. Oi Glória. Queria te agradecer pelo seu comentário no meu blog "O grito de Fernanda". Só hoje que vi seu comentários sobre o meu texto a respeito das origens do meu feminismo (pro concurso do blog da Lola). Ainda sou meio inexperiente com essas ferramentas de blog e não sabia como ser notificada dos comentários ou como mandar um comentário de volta. Aí decidi entrar no seu blog e postar essas linhas.

    Muito obrigada de coração...Dei uma sumidinha na última semana pois estava viajando, mas espero que você curta os outros posts que escreverei no futuro. Tem um post novo hoje lá...

    Um beijo de Londres...

    Fernanda

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  7. Glorinha, adorei seu post!! A gente ja conversou muito sobre isso, né? Que bom que vc agora tem a oportunidade de sair um pouco de casa e respirar novos ares. E não sei como vcs que cresceram com o machismo dentro de casa conseguiram forças pra se rebelar. Parabens, viu? Vc e sua chefa nadaram contra a corrente e venceram! Agora é espalhar o virus do feminismo por ai... Beijo!

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  8. É isso aí! Texto-desabafo, mas consciente. Gostei bastante. Depois de ler dá vontade de sair por aí falando sobre Feminismo pra todo mundo! Também to participando do concurso, e confesso que a melhor parte dele é ver essas histórias todas, esses pontos de vista.. Boa sorte pra ti!

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  9. Lendo os posts do concurso da Lola.

    Gostei do teu texto particularmente por ter me identificado com a estrutura familiar, semelhante aquela em que fui criada. Pai na cabeceira da gente (e por sinal nos expulsando do lugar da ponta se ousassemos nele sentar), minha mãe passando manteiga no pão e fazendo prato do almoço. Minha mãe passando filtro solar nele porque, coitado, não gosta de "sujar as mãos"... e por aí vai. Se fosse para definir meu feminismo, ele também há de ter nascido daí, da observação e revolta com os detalhes do cotidiano.
    Parabéns pelo texto!
    Bjs
    Dária

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  10. Fernanda: Eu, da mesma forma, fico muito grata pela sua visita, viu?! E é claro que voltarei a "gritar" no Grito de Fernanda!;) Beijo grande.

    Manda: Como sempre, um doce, né?! Obrigada e obrigada. É isso aí! Agora é semear o "Vírus, altamente benéfico, do Feminismo. Um grande beijo.

    Nathália: Fico contente pelo seu comentário, viu?! Obrigada mesmo. Um beijo!

    Dária: É de dar dó como nossos pais "sofrem", né?! Or! Bom... obrigada pela visita, viu?! É muito gratiicante pra mim saber que gostou do meu em especial. Volte sempre, tá?! Beijo!

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  11. Oi, Glória. Cheguei aqui pelo concurso também, tô terminando de ler os postas da terceira etapa. Tá muito bom o teu texto, que bom que você decidiu participar. :)

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  12. Primeiro Cego!:D Ai que bom saber disso, viu?! Fico feliz pelo seu elogio, comentário, visita. Um enorme beijo pra você!

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